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O papel do supervisor no chão de fábrica, visando a melhoria contínua (Parte 1)


Com muita propriedade, Kiyoshi Suzaki afirma em seu livro “Guia Prático para a Supervisão no Chão de Fábrica” (Editora IMAM, 2005, de onde consegui organizar minhas idéias e experiências práticas como Gestor) que “A fim de realizar qualquer coisa, as pessoas precisam estar dispostar a tentar. Oferecer a oportunidade de autogerenciamento de suas atividades não apenas estimula as pessoas a utilizarem suas habilidades, como também exercem sua criatividade e, principalmente, criam senso de propriedade sobre aquilo que fazem. Ter senso de propriedade é realizar alguma coisa e ter orgulho daquilo que fez”.

Porém, nos deparamos com situações que muitas vezes é exatamente o oposto do autogerenciamento. As falhas de gerenciamento no chão de fábrica levam a inúmeros problemas e dificuldades, como funcionários sem a aptidão necessária, a falta de uma definição clara das atividades a serem exercidas que acaba por obrigar os supervisores a direcionarem as tarefas o tempo todo, falta de interesse e aptidão para solucionar problemas na fonte e a não utilização do poder criativo dos funcionários na solução de problemas que enfrentam diariamente e repetitivamente e, para piorar, a falha de gerenciamento leva à falta de disciplina para seguir os padrões de trabalho. Em raríssimas circunstâncias, é capaz de produzir-se com estas falhas, porém o que não é observado é que a eficácia (ou o uso dos recursos tempo, dinheiro, equipamentos, pessoas, etc para obter-se determinando produto ou objetivo) destes processos pode ser ruim.

Além disso, muitos programas de melhoria falham pela falta de senso de propriedade das pessoas, elas não se sentem proprietárias daquele processo e sim sentem-se obrigadas a fazê-lo. Ao se sentirem obrigadas, um dos maiores fatores motivacionais acaba-se perdendo – o reconhecimento pelo esforço, pela habilidade, pela capacidade e pela criatividade de realizar um bom trabalho. A falta de senso de propriedade muitas vezes é causada pela falha de comunicação dos objetivos coletivos e das metas da empresa, e também pela falta de significado naquilo que os funcionários fazem.  Cabe ao supervisor oferecer esta comunicação coletiva, ser o facilitador na missão de dar aos funcionários sentido naquilo que fazem e oferecer-lhes a oportunidade de desenvolverem toda a sua capacidade naquilo que fazem para que estas pessoas desenvolvam o senso de propriedade.

A questão da aptidão e habilidade é um fator importante a ser analisado. Muitos supervisores desconhecem a real habilidade de seus operadores, criando uma série de dificuldades durante o processo de fabricação, como alocação inadequada ou equivocada de mão de obra, superdimensionamento de mão de obra, excesso de estoques para cumprir metas de fabricação. Além disso, a falta de habilidade do operador influencia diretamente na qualidade do processo, no tempo de ajuste da máquina, no controle do processo e, principalmente, na qualidade do produto final. Esta falta de aptidão ocasiona inclusive paradas não programadas por quebra de equipamento. Cabe ao supervisor de fábrica ou de produção analisar seus operadores e buscar se relacionar com quatro grandes e importantes grupos, que são a alta gerência, os operadores, os grupos de apoio e os clientes.

Além de compartilhar as metas e objetivos da empresa com os operadores, fornecendo-lhes constante feedback, o supervisor de produção deve conduzir planos de treinamento e capacitação de seus operadores, buscando sempre melhorar o nível de controle e as habilidades necessárias para a correta execução das tarefas. Esta é  uma missão da supervisão pois é baseado nas habilidades de seus operadores que as remunerações são baseadas, e não dos outros grupos relacionados acima.

O fundamental no papel do supervisor de fábrica que visa a melhoria contínua é entender que o foco da empresa deverá ser sempre o cliente, e não a própria eficiência. Porém, ao visar a própria eficiência, muitos supervisores preferem produzir grandes lotes com menos setups, acumulando estoques no meio da fábrica e aumentando custos e o tempo de resposta ao cliente pela falta de flexibilidade. Gerar estoques em processo faz com que o número de operadores necessários para movimentação e transportes seja maior, aumenta-se o risco de contaminação cruzada e esconde vários problemas de gerenciamento fabril, como por exemplo a falta de manutenção de equipamentos. Além disso, quando o foco é voltado para a própria eficiência, as reuniões que buscam solucionar problemas – como PDCA/MASP – tornam-se infrutíferas e cansativas, pois o interesse não é solucionar o problema e sim consertá-lo, independentemente se amanhã ou depois o problema volte a surgir. Se surgir, bastará consertá-lo novamente. Porém, quando não atacamos o problema na fonte, perde-se o que é de mais precioso para o chão de fábrica: tempo. Tempo consertando. Tempo de equipamento parado. Tempo de realocação de recursos. E a realocação de recursos leva a gerar estoques intermediários e faz com que o papel do supervisor seja o de apagador de incêndios, decidindo a movimentação dos estoques de um canto ao outro da fábrica para que as metas sejam cumpridas, ou seja, que a própria eficiência seja atingida, independentemente se isso signifique gastar dinheiro, recursos e tempo e, principalmente, irritar os clientes.

Iremos discorrer sobre a necessidade da aptidão e a necessidade de utilizar-se de métodos para solução de problemas visando não apenas a melhoria contínua, como melhoria de eficácia, foco no cliente e melhoria de comunicação entre supervisão e os grupos relacionados, lembrando sempre que a comunicação é o ponto de partida para qualquer processo de melhoria organizacional.

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  1. Morgado de Sousa
    fevereiro 4, 2010 às 10:54 am

    Continuo a ler os seus artigos com interesse

    Gostaria que num dos próximos artigos abordasse o HOSHIN

    Cumprimentos
    Morgado de Sousa

  2. fevereiro 12, 2010 às 12:11 pm

    Parabens pelo otimo artigo ao qual destaca e muito bem a participação neste processo.

  3. tiago
    abril 5, 2011 às 8:27 pm

    Ótimo texto ! parabens

  4. Joaquim Romildo
    outubro 18, 2011 às 7:32 am

    Excelente, mas a função supervisor de produção é reconhecida?

  5. CESAR
    outubro 22, 2011 às 11:56 am

    PARABENS PELO ÓTIMO TEXTO

  6. Jaime S. Ura
    novembro 13, 2011 às 2:59 pm

    muito bom. o supervisor tem um papel muito importante para o bom andamento da obra.

  7. luciana do nascimento
    dezembro 5, 2011 às 3:01 pm

    achei muito interessante seu artigo,muito esclarecedor.

  8. fevereiro 4, 2012 às 9:54 am

    Adorei a matéria.

  9. Brun..
    março 29, 2012 às 2:45 pm

    Parabéns pelo desenvolvimento do tema.

  10. Gisele Silvestre
    abril 6, 2012 às 12:57 pm

    Sandro,

    Apenas li a primeira parte deste artigo e, de fato, o tema está exposto de forma clara e completa. E ainda, em uma linguagem acessível, de modo que, ao final da leitura, é possível enxergar de forma significativa a relação: foco na própria eficiência x foco no cliente.
    Acredito fortemente nos poderes/benefícios da comunicação e da devida orientação para obter os resultados esperados.
    Igualmente, devo dizer que, muitas vezes assumimos as linhas já com muitas arestas a serem aparadas. Gostaria de saber se você tem algo a dizer sobre estes casos.

  11. vicente
    abril 14, 2012 às 10:59 pm

    muito bom………….

  12. joao lucas
    abril 22, 2012 às 1:35 pm

    muito bom, Mas infelizmente supervisores de maiorias das fabricas nem le artigos tão importante assim.toda mudanças para eles são ignoradas,são na maiorias tarefeiros e acostumados com rotinas.
    que bom se não houvesse ignorância,menos arrogância e mais comunicação, teria menos desperdicios,mais qualidade e consequentemente mais lucros e obvio melhores salarios sem aumentar preços de produto.

  13. dirlan duarte de souza
    junho 27, 2012 às 12:53 am

    Bem na area de supervisor de manutenção tenho pouca expreriencia mais essa lida nesse texto me veio abrir bastante minhas ideias.
    Apenas li a primeira parte deste artigo e, de fato, o tema está exposto de forma clara e completa. E ainda, em uma linguagem acessível, de modo que, ao final da leitura, é possível enxergar de forma significativa a relação: foco na própria eficiência x foco no cliente.
    Acredito fortemente nos poderes/benefícios da comunicação e da devida orientação para obter os resultados esperados.

  14. Carlos
    outubro 12, 2012 às 8:20 pm

    O supervisor tem que ter hoje a visão de cada mão de obra que tem em mãos, tem que conhecer cada colaborador, tem que participar todos promover a motivação nas pessoas. Promover a melhoria contínua do processo e dos colaboradores.

  15. novembro 9, 2012 às 5:10 pm

    Olá Sandro, muito bom o texto, obrigada pelas informações, estou precisando de uma ajuda, pois estou entrando neste meio e não tenho experiência, apenas a teoria da faculdade, procuro um livro, que aborde o tema da diferença entre a eficiência da produção relacionada aos turnos de uma indústria. Você poderia me ajudar?

  16. nilson
    dezembro 30, 2012 às 7:07 pm

    Muito Bom

  17. Flavio
    agosto 20, 2013 às 7:08 pm

    Gostaria de uma dica, de um livro baseado nesse texto, que li, sobre supervisor de chao de fabrica, sou supervisor de manutençao mecanica a pouco tempo e esse assunto me chamou atençao. Abraços

  18. ROGERIO
    setembro 30, 2013 às 4:35 pm

    gostei muito eu estudar muito mais parabéns.

  19. Roberto
    dezembro 29, 2013 às 9:29 pm

    Bom, Muito bom relata realmente as situações encontradas no cotidiano
    gostaria que me informasse um livro adequado para supervisores ou seja
    um livro que possa nos orientar nas mais diversas situações. imail: robprodmec@gmail.com

  20. Paulo
    maio 5, 2014 às 9:05 pm

    Esclarecedor e motivador, parabéns, gostaria de receber seus comentários e materiais, como faço?

    Paulo Henrique

  21. Alexandre P Dias
    junho 19, 2014 às 11:37 am

    Parabêns pelo texto, ficou muito bom, fico muito feliz pela sua evolução profissional e tenho satisfação em dizer que ja trabalhamos juntos na Tubocap… grande abraço e sucesso.

  22. andrey
    outubro 27, 2014 às 9:35 pm

    Parabéns pelo artigo.

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